sábado, 6 de novembro de 2010

Casamento




_Deixa eu ver se eu compreendi, você vai entrar de férias no período que eu mais trabalho, vai viajar para Fernando de Noronha, um lugar que eu nunca fui e ainda por cima com um amigo do serviço?
_Meu amor, você esqueceu que eu vou deixar as duas crianças com você.
_Ah, verdade, desculpa por ter perdido esse detalhe.
_Então eu vou ok?
_Hum rum, vai. Você vai se fuder, seu fila de uma mãe bem boa. Como assim? Todo ano é isso, nas suas férias você viaja e eu fico aqui com as meninas?
_Para com isso, as férias são minhas, o dinheiro é meu...
_Opa, chegamos exatamente onde sempre tudo termina. Agora você vem falar que o dinheiro é seu. Olha só, eu já conversei com você sobre isso, você não vai para Fernando de Noronha porque já combinamos que vamos viajar no carnaval, me explica pra que viajar duas vezes no mesmo mês.
_Nossa, até o carnaval são 20 dias, como eu posso ficar vinte dias de férias em casa?
_Quem falou que é para você ficar em casa? Moramos a três quadras da orla, você sabe quantas pessoas queriam ter esse privilégio?
_Não começa, vou foi pra Recife, ficou 5 dias lá.
_Fui sim, há dois anos.
_E daí, mas foi e foi ao Rio em julho passado.
_Fui sim, passei 24 horas, literalmente.
_Foda-se, mas você foi e pronto!
_Então é assim? Vai começar a jogar as coisas na minha cara? Seu fila de uma P*. Você meu bem, viajou para Salvador, na casa da titia no carnaval passado e a zé buceta aqui ficou em casa. SOZINHA com as duas crianças. Todo ano é assim?
_É assim sim, eu tenho direito de fazer o que eu quiser nas minhas férias.
_Vai achando, você ficou sozinho em dezembro quando fui a casa dos meus parentes, fiquei uma semana lá com as crianças.
_Foi por que quis.
_Numa boa? Não vou discutir. Boa noite e não apareça na minha cama.

(meia hora depois)

_Meu amor, você está certa, desculpa ter gritado com você.
_É, estou acostumada com seus gritos.
_É, eu sei, o final eu sempre peço desculpas mesmo.
_É.

(vinte minutos depois)

_Mas e aí, você acha que não dá pra ficar nem uma semaninha em Noronha?
_Puta que pariu, vai começar tudo novamente.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Final de ano...




Final de ano é um troço tão chato...

Primeiro a gente se dá conta de que o ano praticamente acabou e que tá na hora do Natal. É isso mesmo, "hora" do Natal. Começa aquela correria de amigo oculto de tudo que é lado, inclusive o lado que você não faz nenhuma questão, família decidindo onde vai ser a festa, se vai ter presente pra todo mundo ou se vai ser mais um amigo oculto, quem leva o quê pra ceia. Que obrigação chata! Lembra qual foi a última vez que você falou com aquele primo? E quando foi que seu tio esteve na sua casa? Pois é, faz um ano. Exatamente no Natal do ano passado. E agora, por conta de uma tradição, todo mundo se reúne, como se fosse uma festa de melhores amigos. Ninguém ali sabe o perrengue que você passou, você não tem idéia do quanto a sua tia sofreu com a separação. Aliás, ela se separou de quem mesmo? Mas já que é Natal, todo mundo se encontra e se abraça e se beija como se o tempo não tivesse passado.

Um bebe demais e fica inconveniente, outro faz aquelas mesmas piadas de sempre, enquanto se come barbaramente e num cantinho da varanda, dois irmãos se juntam pra falar mal da vida do outro irmão, que está logo ali, na cozinha. Todos hipocritamente riem, trocam presentes que compraram aos 47 do segundo tempo, sem tempo pra procurar alguma coisa especial e pronto. Tá cumprido o ritual.

Mas o que acontece dias antes dessa encenação é um sentimento de nostalgia, que toma conta de muita gente. Esse ano quase não vi meus amigos. A vida anda corrida, muito trabalho, não deu tempo. Ok, posso não ter me esforçado o suficiente. É, com certeza, se eu tivesse um pouquinho mais de boa vontade, daria tempo. Mas aí eu não teria tempo pra viver aquele amor. Aquele amor que aconteceu sem querer, entre o trabalho e uma ida ao supermercado. Foi legal, mas não era bem isso que eu queria. Gostava do seu jeito carinhoso comigo, mas ele bem que podia ter mais atitude, como o ex. E se tivesse o espírito aventureiro daquele outro. Não tanto, claro. Tem que pensar no futuro, como aquele namorado lá dos 15 anos. E tem que ter bom humor. Será que dá pra juntar tudo num só? Meu Deus! O que eu tô querendo? Acorda, Alice! A vida é real!

E o que eu fiz por mim nesse último ano? Não cumpri com nem um-décimo das resoluções pra esse ano e já vou fazer novas?! Pra quê? Já sei que vai dar merda mesmo! Deixa eu pensar... Não parei de fumar, não comecei (ou me mantive) numa atividade física, não dediquei meu tempo ao trabalho voluntário, não comecei a dieta no dia 1º, nem depois, não entrei num curso de especialização, nem consegui um aumento de salário (será que foi porque eu não fiz o curso?), muito menos consegui diminuir o tempo que eu gasto trabalhando pra aumentar o tempo dedicado a mim. Não revi velhos amigos, não viajei a não ser a trabalho, não fiz grandes programas culturais. Se eu não fiz nada disso, porque essa sensação de que eu não tive tempo pra nada? Eu tô exausta!

Xô, 2010. Ano que vem vai ser diferente. Vou parar de fumar, começar a malhar, fazer dieta, passar mais tempo com meus amigos, vou fazer um curso de especialização e, ah, não! Tudo de novo!?! Desse jeito eu já começo um ano frustrada!

E agora, José?

Acho melhor parar tudo e viver um dia de cada vez. Sem grandes planos. Sem metas malucas e inatingíveis. Vamos ver se dá certo. Ano que vem eu te conto.

(texto gentilmente doado a este blog por uma amiga)